Casa dos pais
Quando tinha 16 anos de idade já intencionava sair de casa. Isso se chama iniciativa, vontade de progredir e de ser independente.
Sair de baixo da saia da mãe deve ser a primeira coisa que um homem deve fazer. Somente após esse ato é que ele vira homem de verdade. Os cacoetes da mãe que o filho inevitavelmente absorve com o convívio são desastrosos. Cacoetes esses difíceis de serem eliminados quando o filho adulto mora com a mãe. Na verdade, quem mora com os pais é um casado sem mulher. Primeiro porque inevitavelmente ele acaba se tornando o provedor da família inteira, tanto material quanto sentimental. Qualquer aperto de algum membro da família recorrem logo ao solteiro. "Fulano é solteiro, pede a ele..." Esquecem que fulano também é um ser humano, trabalha para ele mesmo e também precisa de dinheiro para namorar, se divertir, casar... E para garantir que a ajuda não será negada, usam sempre a mãe para chantagear emocionalmente o filho solteiro. Negar a ajuda ao parente vagabundo acaba sendo uma afronta a mãe, que se realmente amasse o filho, lutaria pela felicidade dele, como incentivá-lo a casar, por exemplo. Um homem de 40 ainda morando com os pais é realmente muito estranho. E a desculpa de que a mamãe precisa do filho não se sustenta porque o filho pode morar próximo e não necessariamente com a mãe. O filho que mora com a mãe sempre acha que é o dono da casa, principalmente quando é órfão de pai. Não é. Basta o filho levar uma mulher para casa que logo descobre que não é dono de nada. Aliás, o filho só sabe quem é a mãe quando arranja uma mulher. Alguns dias na casa da sogra já são suficientes para que o filho possa perceber os traços negativos da personalidade da mãe. Quer saber quem é sua mãe ou sua irmã? Coloque sua mulher para morar com uma delas. A vantagem é que você vai conhecer também a sua mulher. Ter que dá satisfações à mãe em tudo que faz e para todo lugar que vai é ridículo para um adulto. O controle da mãe é sufocante até para as mulheres. Aliás, nem as mulheres hoje em dia querem mais viver sob o domínio das mães. E quando o homem deixa a mulher e volta para a casa dos pais a situação é ainda pior. O tratamento não é mais o mesmo. A relação de mãe para filho é quebrada e no lugar surge uma relação de responsabilidades, cobranças e obrigações. Uma situação contrária a do filho que nunca saiu de casa, que é fortalecida com o tempo, ao ponto do filho se tornar totalmente dependente da mãe e a mãe do filho. Nesse contexto o filho é um casado sem mulher, sem lazer e sem prazer. Um casado apenas para ser cobrado e assumir broncas. Se separou? Faça de tudo, mas não volte mais para a casa dos pais. E isso vale também para as mulheres que se separam.
Fato interessante acontece principalmente com as mulheres que casam cedo: inicialmente se sentem como um peixe fora da água quando estão na própria casa com seus maridos. Inconscientemente continuam considerando a casa dos pais com sendo sua. Mas com o passar do tempo essa ideia vai se apagando da memória e as mulheres passam a se sentir um peixe fora da água quando estão na casa dos pais. Percebem que a casa dos pais não é mais o seu lugar. E quando vão visitar os pais ficam se perguntando: "O que eu estou fazendo aqui? Vou é para a minha casa".
Na casa da mãe o filho não consegue se desenvolver pessoalmente e nem amadurecer o suficiente para pensar e agir por si mesmo. Um colega de 40, órfão de pai, engenheiro e solteiro, vivia com a mãe. Numa festa da empresa comentou comigo sua insatisfação com a vida. Queria casar, mas não encontrava nenhum mulher interessada nele. Era um cara cheio de problemas familiares, meio gordinho, que aparentava carregar o mundo nas costas. Falei que a primeira coisa a fazer seria ir morar sozinho, longe do controle da mãe. Afinal a velha não era inválida, era ativa e até fazia ginástica na academia da cidade. Mas era chantagista... A dependência do filho era tão grande que ele chegou a falar que já tentou de todas as formas dizer para a mãe que ia morar sozinho e não conseguia. Por isso queria casar para justificar a sua saída de casa. Mas quando as mulheres percebiam a dependência dele da mãe caiam fora. A insegurança que essa dependência passava para as mulheres era grande. Como confiar num homem que vive correndo para atender as insistentes ligações telefônicas da mãe e se desdobra para explica onde está, com quem está e o que está fazendo? Se eu fosse uma mulher também não queria um cara desse.
Ficou adulto? Passou dos 20, 25 e não casou? Tome as rédeas da própria vida, saia da casa dos pais e vá viver, lutar, levar porrada, ganhar, perder, crescer, aprender....
