Carta aos favelados - Vencendo o ciclo vicioso da pobreza

Esta carta se destina aos homens, mulheres, meninos, meninas, velhos, velhas, idosos e idosas favelados e faveladas (se é para tirar onda com analfabetos ideológicos, tá valendo).

Se livrar da pobreza não é tarefa fácil porque o pobre geralmente vem de um ciclo vicioso de pais, avós, bisavós, etc Resumindo: alguém da família fez merda ou não fez porra nenhuma para resolver essa situação, passando o legado da sua miséria para os seus descendentes.

O maior preconceito que existe no Brasil e no mundo é o preconceito contra pobre (aporofobia). Interessante que aporofobia não é crime. Um mau-caratismo jurídico que tornou preconceitos menores em crimes, mesmo sabendo que ninguém gosta de miseráveis. As pessoas mudam de calçada, evitam, não falam, não olham e querem distancia. São pessoas sem rosto. E isso causa revolta em muitos miseráveis, que, em vez de mostrar seu valor, preferem virar canalhas, bandidos e viciados. Não conhecem o potencial que possuem e o quão estão perto da vitória.

Com muito esforço é possível sair da pobreza. Mas somente com um esforço sobre-humano é possível sair da miséria. Enquanto o pobre tem ao menos o que comer, o miserável nem isso tem. Se como eu você não herdou nada dos seus pais, parabéns. Você tem a grande oportunidade de aprender, lutar, vencer e se tornar um homem de verdade. Além de não dever nada a ninguém. Isso mesmo. Se você não herdou nada dos seus pais você não tem divida social nenhuma. Nem com negros, nem com índios e nem com bandidos. Se seus ascendentes mataram índios para roubar terras, escravizaram negros ou exploraram o povo, mas não passaram nada para você, a culpa NÃO é sua. Não é responsável e nem tem dívida social com ninguém. E mande para a PQP que achar que tem. Ao contrário, se seus pais e você sempre trabalharam e pagaram impostos, o Estado tem uma dívida social enorme com você e sua família. Mas quiseram jogar essa culpa em você, para tirar o deles da reta. Só mais um mau-caratismo dos nossos governantes que continuam no poder, graças aos favelados (masoquismo?)

A pobreza ou miséria é como um câncer que se agarra na pessoa e toma conta de todo o ser. Controla o modo de andar, de falar, de agir, de perceber as coisas. Isso porque controla a mente do miserável. E controlando a mente controla também comportamentos que influenciam no modo de agir, expressar e pensar. E aí que reside o problema. Muitas oportunidades podem ser perdidas por causa de comportamentos errados, dissonantes ou desarmônicos com pessoas que poderiam ajudar. Nesse contexto, princípios e valores são fundamentais. Vícios e mau-caratismos devem ser rechaçados, mesmo quando se perde com isso. Vantagens que degradam física, ética e moralmente contrariando princípios e valores são mais danosos que a própria pobreza. Da pobreza e miséria é possível sair, mas da degradação, não. Coisas degradantes deixam sequelas e mais cedo ou mais tarde você vai colher os frutos podres. Ninguém vai muito longe agindo com mau-caratismo. E se for a queda também é grande. E quando cai não levanta mais. Conheço vários exemplos. O ditado que diz: "Pobre é igual a lombriga: quando sai da merda, morre", se aplica nesses exemplos. Quem não prejudicou a ninguém e nem a si mesmo para melhorar de vida sai da merda e não morre. Pelo contrário, vai aproveitar porque sabe aproveitar.

É preciso humildade, entusiasmo, honestidade e saber falar. Aprenda a falar. Se esforce para não se contaminar com o linguajar e os trejeitos chulos da favela. Nenhuma criatura com mais de dois neurônios suporta essa porra:

-Aê doido. Discola um trampo aí pra nói carái. A parada aqui é braba sinhô". 

Além do visual característico constituído por cabelo de retardado, corrente grossa no pescoço e tatuagens de bandidos. Aprenda a falar que nem gente. Se ao menos aprender a falar já aumenta as chances de se dá bem na vida. Pare de assistir filmes e novelas brasileiras de favelados e leia livros. Linguajar e trejeito de favelado só têm valor quando representados por atores ricos, que ganham fortunas para representar. Na vida real não funciona. Seja favelado ou não, você não precisa carregar a favela dentro de você. Deixe a favela fora da sua mente, do seu corpo, do seu comportamento e do seu modo de ser. Ninguém precisa saber que você é favelado de corpo e alma.

Reconheço que é difícil morar numa área onde o Estado brasileiro só é soberano para os cidadãos, sem conseguir ser para os bandidos. Ser soberano para os bandidos é libertar os cidadãos dessa opressão covarde. Se não consegue o Estado não é soberano e ainda é cúmplice dos bandidos. Mesmo em áreas dominadas pelo tráfico os cidadãos são obrigados a pagar seus impostos, são fiscalizados e sofrem todas ações de um Estado soberano, principalmente as ações que prejudicam o cidadão. Se o Estado não consegue ser soberano o cidadão não tem obrigação de pagar seus impostos ao Estado. Se o Estado não cumpre as suas obrigações para com o cidadão, o cidadão teoricamente também não deve cumprir as suas obrigações para com o Estado. Isso é óbvio. Mas o que ocorre na prática é o peso da mão do Estado nas costas do cidadão. Um Estado que além de não conseguir libertar seus cidadãos da opressão dos bandidos, ainda o oprime de forma grosseira e covarde.  

Um engenheiro de obras não estava precisando de trabalhadores. Daí chegou um rapaz, aproveitando que o portão da obra estava aberto, e disse que queria falar com o engenheiro. Isso porque ele viu um rapaz de capacete branco e sem farda e imaginou que seria o engenheiro. O porteiro ficou meio sem saber o que fazer e começou a fechar o portão na cara dele. Iria perder sua oportunidade e daí gritou:

-"Doutor, posso falar com o senhor um instante? É rápido não vou tomar seu tempo".

O Engenheiro viu um rapaz asseado, vestido com roupas pobres, mas limpas, sem aspecto de maconheiro ou vagabundo, sem cabelo de retardado ou outras idiotices, e se dirigiu até o portão. O porteiro interrompeu o fechamento do portão. O rapaz, mostrando uma cópia do Certificado de Eletricista Instalador Predial, falou:

-"Bom dia doutor. Muito obrigado por me atender. Eu sou eletricista, fiz meu curso no SENAI, nunca trabalhei em empresa, estou fazendo trabalhos avulsos há seis meses, mas gostaria muito de trabalhar numa empresa dessa. Se o senhor puder me conceder uma oportunidade, serei eternamente grato ao senhor. Não se preocupe, nunca vou decepcionar o senhor e nem a empresa".  

O Engenheiro ficou sem palavras e pediu para ele ir na próxima semana. Contratou ele como Auxiliar de Eletricista. Em dois anos já era encarregado. Em três anos, mestre de obras ganhando um salário igual ao do Engenheiro. Qual o segredo? Não ser mais um, mas ser um diferencial. Todo patrão gosta de empregado que economiza os recurso da emrpesa, não desperdiça materiais, cuida da empresa com zelo e faz faz seu trabalho com qualidade. Ao contrário do que alguns pensam, ninguém gosta de baba ovo. Bajuladores não vão muito longe. Não precisa babá ninguém. Basta agir com ética e tratar a todos com respeito. Nunca diga não a um superior. Recusar serviço, desafios ou horas extras não é uma boa propaganda pessoal, principalmente para quem está começando. 

Deixe as modas de artista para quem é artista ou já é rico. Se você é fodido, não tenha cabelo de jogador ou tatuagem de cantor. Deixe essas merdas para quem não precisa de ninguém. Quando você sair da favela não leve ela com você. Deixe-a no lugar onde ela está. E quando sabe se expressar e é educado e inteligente, entra e sai de qualquer  lugar, além de "ter argumento para qualquer bacharel". 

Querer ser bandido é babaquice de retardado. Nunca vi um bandido se dá bem. O final é sempre um desastre. Viver assombrando e correndo da polícia não é o sonho de ninguém, além de viver preso na favela, sem poder ao menos ir a praia, restaurante, lazer... Vale a pena esse dinheiro? Um trabalhador vive melhor que um idiota desse. 

A única salvação do pobre é a educação. Somente pela educação é possível ao pobre se sobressair frente ao rico. Coma, mastigue e faça uma digestão bem feita da gramática portuguesa. Para qualquer coisa na vida é preciso saber escrever, ler e entender o que está escrito. É preciso acabar com essa cultura de favela, onde não existe o cidadão (aquele que trabalha e estuda). Ou é crente ou é bandido. Onde o bandido é um coitadinho vítima da sociedade. E o crente é um alienado e explorado pelo pastor. Pregam isso como se todo favelado fosse idiota (e a maioria realmente é). Essa ideologia idiota alienou praticamente todos os favelados. Mas alguns resistem e não aceitam  essa cultura tosca. Basta estudar, pesquisar e tirar as próprias conclusões que se percebe a manipulação de políticos, religiosos e mídias.   

Um operário de uma indústria do nordeste começou a andar com ricos e ficou rico também. Através de um consultor da empresa teve a oportunidade de conhecer outras pessoas. Ficou rico porque sabia se expressar, estudava muito, respeitava as pessoas e agia com ética e honestidade. Não incomodar os outros com pedido de dinheiro ou problemas pessoais também são regras de ouro. Mas nunca finja ser quem você não é. Fale a verdade, mas sem chantagem emocional, sem pedir nada e mostrando seu interesse em mudar da vida e crescer. Se quiserem ajudar, ótimo, mas não peça. Quando tiver oportunidade, mostre do que você é capaz, do que gostaria de fazer, dos benefícios de terem você como profissional. É para vender o profissional que você é, sua capacidade intelectual, e não você ou a sua pessoa. Todo mundo gosta de gente batalhadora e esforçada. Hoje o operário é sócio em duas empresas dos ricos e também ficou rico.    

É preciso ver mais adiante, identificar e tratar as oportunidades. Se você é pobre, aconselho não partir para faculdade enquanto tiver em dificuldade financeira. Se você é pobre e gênio vai estudar em alguma Universidade Federal. Nesse caso vai estudar com gente rica porque ricos gênios estudam em Universidades Federais. Mas nem se anime. Eles formam uma panelinha entre eles, criam uma barreira e não deixam ninguém entrar. E quem consegue entrar ou se corrompe ou se decepciona porque nem sempre são "gente fina". O perigo das federais são as amizades. O rico faz do que faz e depois vira doutor, empresário ou político, enquanto o pobre de lasca, principalmente quando se vicia em drogas. Isso porque o pobre já é debilitado pela vida, desnutrido e sem estrutura familiar e financeira para se tratar e voltar a ser gente. Mas se você não for gênio (o que é difícil ser, dada as condições de vida), vai estudar em alguma universidade particular barata. Nesse caso não vai estudar com ricos porque ricos ou estudam nas federais ou estudam nas caras, muito caras, tão caras que pobre nem passa na porta. De qualquer forma, o rico quando se forma vai ser empresário, diretor na empresa do pai ou político. O pobre vai ser auxiliar do rico. Estuda na mesma sala de aula, com os mesmos professores, pode até estudar mais que o rico e ajudar o colega rico a se formar, seja passando colinha, dando aulas ou elaborando trabalhos escolares, mas quando se formar vai auxiliar o rico e não será rico. Por isso pobre sempre deve buscar um curso que possa abrir o próprio negócio, para não ficar a vida toda dependendo de emprego. Realmente, são mundos diferentes. Enquanto um acorda tarde, sem compromisso, vai para a academia, almoça, dorme uma sonequinha e vai para a faculdade todo cheiroso em seu carro e ainda com o cabelinho molhado, o outro sai do trabalho, suado e fedido, pega um ônibus lotado e chega ofegante na faculdade, com o cérebro a mil. Mas tá ali, lado a lado com o FDP rico. Não é fácil.

O maior problema do pobre é a família. Isso mesmo. Os pobres que moram com ele. A desgraça de um pobre é outro na porta. Pobre não faz e nem deixa fazer. Parente que torce contra o não parente é burro, mas pobre que torce contra o parente é imbecil. Se o parente tiver bem, no mínimo não vai incomodar o parente pobre. Mesmo que não ajude ninguém, o parente bem de vida não vai pedir CPF emprestado, nem dinheiro, nem cartão de crédito. Só por isso já é uma benção ter um parente rico ou bem de vida. Para sair da pobreza a primeira coisa a fazer é se livrar das cargas dos outros. Se você não arranjou mulher e nem filhos não deve sustentar mulher e nem filhos dos outros. Quem pariu que cuide. Sua obrigação é com você e talvez com algum parente incapaz que não tenha condições de se sustentar. O resto que se vire. Utilizar a mãe como ferramenta de chantagem para tirar dinheiro do parente que se lascou no trabalho para dar ao parente vagabundo é mau-caratismo da mãe e do parente. E quando tem alguém na família que ganha um dinheirinho a mais, todos caem em cima. Surgem urgências financeiras de tudo quanto é lado. De dívida do parente retardado vagabundo com traficantes a parentes que serão despejados e irão morar debaixo da ponte. Aprenda a dizer NÃO! Se você não existisse, como passariam?

Livrando-se das cargas dos outros, a primeira coisa é conseguir um emprego para se capitalizar. Emprego conseguindo, nada de folga. A guerra ainda não acabou. Ou faz isso ou nunca sairá da miséria. Pensar porque você deve se matar para conseguir as coisas se alguns já nascem ricos não vai resolver o seu problema. O que resolve é trabalho, investimentos e economia. Se capitalizando, mesmo com pouco, o próximo passo é se qualificar profissionalmente. Se já tem o segundo grau a solução é um curso técnico. Escolha um curso que esteja em alta e que você possa trabalhar para você. Se não tem o segundo grau a solução seria um curso profissionalizante, como eletricista de auto ou predial, por exemplo. Trabalhar de dia, estudar à noite e ainda economizar na comida, já que o dinheiro não sobra pra nada. Isso se quiser sair da merda. 

Perder tempo e dinheiro com bailes funks, festas, igrejas ou farras com amigos é outra cilada. Quer se divertir um pouco? Frequente um local decente, mesmo que seja só algumas vezes ao ano. É religioso? Frequente uma igreja tradicional, original e em um lugar decente. Igrejas que obrigam o fiel a frequentar a igreja do seu bairro para não ir para a igreja dos ricos, mande pastar. Não pague dízimos. Quem ganha menos de cinco salários mínimos não pode pagar dízimos, mas precisa "comer dos dízimos", como diz a bíblia. Quer beber com amigos? Ótimo. Veja quem são esses amigos e se vale a pena. Separe o valor máximo a ser gasto dentro das suas economias. E só leve esse valor. Amigo que corre para não pagar a conta, deixa sempre você pagar, consome antes para depois dizer que não tem dinheiro, corra. Esses são como pesos amarrados em seu pescoço e lhe puxando para o fundo do poço. Vai por mim, é melhor você sair sozinho do que acompanhado com algum macho. Sozinho você consegue ser você mesmo e colocar seu plano sem interferência de ninguém. Amigos atrapalham e muito. Quando não dá para eles não querem que dê para você. Depois que eu aprendi a sair sozinho nunca mais quis sair com amigos. Não tem coisa melhor do que sentar em uma mesa de um barzinho decente e ficar pescando... Sozinho se gasta menos, percebe as oportunidades e tem mais chance de fazer amizades, principalmente naqueles locais que você vai com frequência, onde já é conhecido.

Não existe esse negócio de "porque é negro" ou "porque é gay". Nunca vi uma empresa recusar um bom profissional por causa disso. Isso é conversa de ideólogo social que não tem o que fazer. Quando você vê uma empresa com essas pregações ideológicas sob a alegação de igualdade, equidade e inclusão, é porque eles que são preconceituosos. E estão fazendo essas pregações para que possam disfarçar o problema existente dentro dos seus muros e não fora dele.  

Profissionalizado é hora de correr atrás. Inicialmente de um emprego, já que o profissional sempre ganha um pouco mais do que o trabalhador sem profissão. Escolheu o curso certo e o que você gosta de fazer? Ótimo. Vá comprando as ferramentas, se equipando, fazendo a sua propaganda e alguns bicos nas folgas. Tá surgindo um empreendedor. Desnecessário dizer que com mulher e filho isso é quase impossível, exceto se a mulher tiver uma boa renda. Tinha um professor que dizia que nascer pobre é consequência, mas casar com pobre é burrice. Pobre que casa com pobre é burro porque a chance de perpetuar sua miséria é alta. Esse mesmo professor tinha outra máxima: "Ser pobre não é defeito, mas ser canalha, é". Além de pobre, canalha, é desgraça demais. O fato de ser pobre não significa que é canalha. O pobre precisa ser mais inteligente e mais educado do que o rico. Essa é a verdade. 

Alguém disse que esse povo não quer trabalhar porque na favela top mesmo é ser bandido. Concordo que o sonho de muitos jovens favelados é viver escondido, correndo da polícia e dos rivais bandidos, sem direito de ter uma vida decente, poder ir a praia, etc E ainda morrer crivado de balas. No entanto nem todos são assim. Há uma minoria que não quer essa vida de cachorro de rua sarnento.

Se você chegou até aqui, parabéns. Você já sabe como fazer o resto e com certeza terá sucesso e, se não ficar rico, vai não somente sair da merda, como melhorar muito sua vida e dos seus familiares.

Boa sorte e sucesso.



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