Edy Clínio - O Conde do Rock

Edy Clínio - O Conde do Rock era um cantor de rock que iniciou sua carreira na década de 70. Sempre acompanhado pelo Grupo Acapulco, animava as festas comemorativas municipais. Um cara musicalmente muito além do seu tempo.

Era tempos da ideologia Hippie do "Cansei de me preocupar com o mundo. O mundo agora que se preocupe comigo", que nunca deu certo, mas que até hoje alguns ainda tentam sem sucesso. A realidade do "Se não trabalhar não come" sempre bate mais forte. Mas com nossa sociedade recém-saída do coronelismo e em pleno regime militar, tivemos tempos de sonhos, esperanças e lutas pela liberdade.

Na década de 70 o rei do rock era Elvis Plesley. E Clínio não quis tirar sua coroa, se contentando com um título mais baixo. Claro que Edy Clínio era pseudônimo. Seu nome verdadeiro era Antonio (Tony) Brito, não lembro bem. 74 eu tinha 11 anos de idade. Naquela época quem colocava nomes americanos tinha mais chances de se dá bem no meio artístico, principalmente no meio musical, quando os americanos estouravam nas paradas de sucesso com o rock and roll e seus derivados. Clínio foi muito corajoso em se lançar naquela época. Com poucos recursos conseguiu dominar o inglês fluentemente e desafiava qualquer americano a reprovar seu inglês musical. Na batida do Acapulco, com escassez de instrumentos, Clínio se desdobrava na interpretação dos embalos do Creedence Clearwater Revival

Uma época sem celular, sem internete, e com apenas duas emissoras de TV com imagens em preto e branco que só iam ao ar das 17 h às 00 h. Uma época difícil, muito difícil. O bairro litorâneo de Prazeres em Jaboatão dos Guararapes era um bairro esquecido. Ainda havia o pensamento de que era chique morar no interior e que quem morava no litoral era pescador. Prazeres era um Bairro de campinas, muito campos e áreas vazias, areia preta, quente e cheia de bichos de pé. 

Até início da década de 80, Clínio morava com sua mãe nesse Bairro. Era uma casa de esquina com terraço em "L", que ficava localizada no início da Av.  Agamenon Magalhães com Rua Aarão Lins de Andrade, onde hoje é uma conhecida loja de calçados. (conforme foto do Google Earth  abaixo):  


 
Nessa esquina, onde hoje temos essa edificação comercial com fachada branca e vermelha, existia a residência de Edy Clínio. Eu residia na outra esquina, no lado de cá, ao lado dessa galeria, que na época era um terreno baldio com pés de mamonas. Aliás nessa época essa rua não existia, era apenas campinas, coqueiros, cajueiros e mamonas. A casa que eu morava ainda existe, mas construíram umas lojas na frente. Havia alguns barracos de madeira e bancos de feira no lado esquerdo da imagem. Em frente a casa de Clinio havia um terreno baldio, onde sempre se instalavam alguns pequenos circos. Era tudo que nosso artista precisava. Na época brincávamos no meio dessa Avenida, que era um belo gramado.

Na verdade quase não tive contato com o Conde do Rock. Mantinha mais contato com o irmão dele (Brito), que hoje é político, e com um dos músicos da Banda Acapulco, o Nadilson LinsClínio era ruivo e possuía cabelos encaracolados e curtos, mas usava uma peruca loira de cabelos longos e lisos. Era uma figura que chamava muito a atenção. Com sua peruca longa e loira, calças Jeans cheias de acessórios, jaqueta sem mangas aberta e fumando um cachimbo, o roqueiro aguardava na parte de trás do palco a sua vez de cantar. Imagina um cara alto, forte, cabelos loiros escorridos que chegavam na cintura, vestido dessa forma, usando óculos à la Janis Joplin e baforando um enorme cachimbo? Coisa de outro mundo para a época. Era sempre o último a cantar, a atração da festa. Quando entrava ninguém ficava parado. O cara sabia animar. Mudava o clima e as pessoas começavam a cantar e dançar. Enquanto na pare de trás o Baterista do Grupo Acapulco se contorcia para acompanhar o roqueiro, a comissão de frente sempre era formada pela sua filha (pandeiro e outros instrumentos de percussão) e pelos guitarristas (Nadilson Lins e outros). Um fenômeno musical que a meu ver, foi marginalizado pelas mídias da época. Ao final da década de 70, não era possível viajar de cabo a rabo pelo Nordeste sem ver as inscrições "Edy Clínio - O Conde do Rock" ou "Edy Clínio - Só Rock" estampadas em muros, paredes e até rochas ao longo das BR. Um esforço enorme, mas a divulgação era eficiente porque o nome ficou na cabeça dos nordestinos. Com passar do tempo as pichações se apagaram e Edy Clínio sumiu.
Praticamente não há referencias sobre esse artista. No início da sua carreira, Clínio gravou o seu primeiro e único disco, um compacto vinil, em 1974, pela então gravadora Rozenblit. O compacto duplo foi lançado com o título "O Hippie", com quatro faixas: FACE A: "1-Eu me enganei" (Letra deTony de Brito/Música de Ed Sandro), "2-Antes e Hoje" (Letra de Jany Soares/Mísica de Edy Clínio); FACE B: "1-Alegria de Viver" - Esta está no You Tube (Letra de Tony Brito/Música de Ed Clínio), "2-O Hippie" (Letra de Jany Soares/Música de Edy Clínio). O jornalista José Teles compara Edy Clínio a lenda da perna cabeluda. 
Laura Josani Andrade Corrêa, em seu trabalho intitulado "Breve história do videoclipe", cita:
"Foi realizado em Recife, em 1984, um vídeo musical produzido pela Rede Globo, Edy Clínio, O Conde do Rock, um curta-metragem com sete minutos de duração, dirigido pelo jornalista Amin Stepple Hiluey. As experiências em Recife podem ser consideradas como primórdios do videoclipe no Brasil, ainda que não tenham sido veiculadas no circuito de exibição de massa.".
Todo mundo conhecia o nome "Edy Clínio" das pichações, mas praticamente ninguém sabia quem era ele. E os que sabiam quem era invejavam a sua forma alegre e livre de viver porque passava uma sensação de liberdade, sonho, aventura e de vida intensa. Foi uma época difícil para artistas que pretendiam se lançar no mercado, mas Clínio certamente conseguiu o seu lugar ao sol. 
P.S.: Estou em busca de mais informações sobre o Conde do Rock. Se alguém tiver contato com alguém próximo a Clínio ou mesmo possuir imagens desse artista, favor entrar em contato pelo e-mail ao lado. Obrigado.    



Postagens mais visitadas

Mulher furada e mulher cabaço

Os micos e ridículos do desarmamento

Quer ficar parecido(a) com maconheiro(a)? Faça uma tatuagem.

Por que os cristão rejeitam a esquerda?

Ideologia canalha: inversão de valores

Eleitores transformaram o Brasil num inferno de bandidos e noiados

Idiotices sobre Bolsonaro

O Estado tem o dever de capacitar o cidadão para se proteger de bandidos