Uma reflexão muito sincera sobre o atual pesadelo brasileiro

Este texto foi publicado originalmente no X por John W. Peters. Comecei a ler e não consegui parar até chegar ao final. Qualquer pessoa que mesmo sem recursos e com o universo conspirando contra, não usou isso como desculpa para ser bandido, mas batalhou honestamente na vida com todas as suas forças para sair da pobreza, certamente vai se identificar com essas linhas...

"Tenho uma vida ótima no Brasil. Moro bem, tenho casa na praia, meus filhos estudam em ótimas escolas, frequento excelentes restaurantes e viajo algumas vezes por ano com a família. Ou seja, a típica vida sonhada pela classe média mundial, embora aqui isso esteja se tornando cada vez mais inacessível. Muitos já enxergam como uma "vida de rico".

Além disso, tenho direito a viver com minha família sem nenhuma restrição em 31 países, não preciso de visto para entrar nos EUA e tenho acesso livre a praticamente todo o mundo ocidental.

Eu poderia estar 'cagando' para política e simplesmente dar no pé a hora que eu quisesse, deixando que esse país se afunde no lamaçal das consequências de suas escolhas. Mesmo assim, algo faz com que eu "perca" parte do meu tempo para fazer postagens nessa rede e conversar com algumas pessoas. Não sei bem o motivo, parece um desperdício de tempo realmente. Talvez o fato de alguns posts alcançarem milhões de pessoas (vejam a aba destaques do perfil), deixe-me com a esperança de que posso ajudar uma ou outra mente a despertar desse transe no qual a elite socialista que comanda o país colocou a todos nós.

Um fato absolutamente desanimador é constatar, nos círculos sociais em que eu consegui me inserir, que boa parte das pessoas abastadas desse país querem a continuidade de toda essa desgraça. Eles não são afetados e inclusive muitos se beneficiam disso, embora estejam o tempo todo arriscados de tomar um tiro na cara ao sair de seus condomínios. A solução? Só andam de carro blindado e vivem em lugares cada vez mais caros e cheios de segurança. Não se importam de viver numa zona de guerra. Já estão acostumados.

Ao longo dos anos, fui refletindo sobre qual seria a lógica disso. "Como pode, votar no PT ou não se importar mesmo tendo filhos que vão crescer, virar adolescentes passando a ter vida noturna e correndo risco constante de perder a vida por causa de um celular que será utilizado para 'comprar uma cervejinha'". Isso não fazia sentido, até que eu comecei a notar um padrão: boa parte dessas pessoas já nasceu nessa condição. São pessoas que nunca souberam o que é a pobreza, a dificuldade de não ter dinheiro para um ônibus ou acabar o salário na metade do mês com todos os limites do banco estourados, cartão de crédito renegociado, e sem saber como vão comer até o próximo salário. Essas pessoas não tiveram a infância que eu tive.

Quando digo que tive que me fazer do zero, e que meu pai morreu sem ter sequer onde morar, e que nunca terei herança, muitos não conseguem compreender. Alguns de nós vivem numa bolha, mas essas pessoas nasceram nela. Tiveram as escolas mais caras, foram várias vezes para a Disney, enquanto eu estava colocando a única calça que tinha pra secar atrás da geladeira para poder ir para a escola no dia seguinte. Mesmo na faculdade, tinha que escolher entre pagar o transporte e comer na hora do intervalo.

Nada disso me ressentiu, muito pelo contrário. O que me salvou foi realmente encontrar algo que gosto de fazer e me dedicar a ser o melhor naquilo. As portas foram se abrindo, as oportunidades foram sendo agarradas, e aos poucos fui transformando o meu destino e agora o dos meus filhos.
Mas, voltando à questão, a minha conclusão foi a de que essas pessoas não querem a ascensão da direita, onde o capitalismo real poderia ser implantado, porque vivem numa eterna síndrome do impostor, ou seja, não acreditam que poderiam manter seu status caso houvesse concorrência real. Num país de pobres e miseráveis, é bem mais fácil se destacar e precisarem de você. É confortável permanecer na elite com relativo pouco esforço. E não digo aqui que isso é uma regra, mas uma prevalência observada em evidência puramente anedótica. Há pessoas que nascem em berço de ouro e são fantásticos empreendedores e que de fato querem o bem maior através do desenvolvimento econômico do país.

O problema é que boa parte dessa falsa elite é medíocre e iludida. Caso o país afunde, muitos deles perderão tudo. A estabilidade que eles buscam ao manter no poder o status quo é totalmente ilusória. Somente a verdadeira elite, composta pelos amigos do rei, é imune às consequências.

Se Lula vencer novamente em 2026, e esse é o cenário mais provável, acho que finalmente terei que desistir daqui. O jeito será vender o que tenho e levar minha família para um lugar decente. Não é o ideal, nunca é. Terei que abrir mão de conviver com amigos queridos, parentes próximos, enfim, mudar de vida completamente, mas minha prioridade é proteger minha esposa e meus filhos. O sistema odeia pessoas que se fazem sozinhas e não hesita em tomar tudo o que você levou décadas de trabalho árduo para conquistar. Pra eles, é dinheiro de pinga e não fazem ideia de como se obtém isso na vida real. Bastam alguns processos, forçando a pessoa a gastar com caros advogados ou multas arbitrariamente altas, e pronto, destroem sua vida financeira com duas canetadas, acabando com a sua mobilidade. Nosso ditador de toga adora fazer isso.

Não esperem demais. Quem saiu mais cedo na Venezuela, não se arrependeu. Você até pode tentar ajudar o coletivo, mas não se esqueça: a salvação é individual.".

Sobre o autor:
John W. Peters
@o_incensuravel
Systems Engineer | Citizen Journalist: Freedom of Speech. Anti-Woke. Politics. Finance. Health. Marriage. Fatherhood. Culture. Barbecue. Rock 'n Roll.






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